Sabe aqueles dias em que você acha que perdeu 24 hrs da sua vida por nada? Você acordou, levantou, escovou os dentes, comeu por obrigação natural e foi ao trabalho. Viu que as pessoas não ligam necessariamente pra você. Viu que elas estão lá por algo em comum que as chamam atenção e não obrigatoriamente o mediador. percebeu que as coisas não são tão reais como pareciam ser, tudo tem um motivo pra estar lá, dos mais absurdos aos mais idiotas.
Voltou pra casa com esse sentimento ruim. Encontrou sua família em casa, cada um preocupado com seus assuntos particulares. Até os bebês tem problemas pessoais! É melhor não atordoá-los com os seus. Não consegue estudar porque outras ideias não largam o seu cérebro. O celular nunca pareceu tão calado. O dia passa vagarosamente rápido. O sol se põe, a noite chega e você ainda continua sufocando com coisas que você tem quase certeza que só existem no seu maldito imaginário.
Tenta ver tv, inútil. Futilidades em todos os canais. Janta, dorme. Finge que dorme pra si mesmo, mas você sabe que não consiguirá até fazer uma viagem pela consciência universal, todas as variedades de assuntos passam por sua cabeça: sexo, amores passados, trabalho, dinheiro, loucura, morte, futuro, dor, ganância, personalidades, mudanças, injustiças, perguntas. Perguntas? Pra quem você tá perguntando mesmo? Será que chorar ajuda? Onde estão seus amigos? Na internet? Onde está Deus? Na igreja, nas orações, em todos os lugares? E amanhã, vai ser do mesmo jeito? Desistir??!! Não, você sabe que é inútil isso, e burrice também porque isso só traria problemas pra outras pessoas.
O sono o dominda finalmente. Sonhos e pesadelos anormais o controlam, mais uma viagem. Acorda, mas ainda não é dia. Olha pro relógio e vê como o tempo é precioso. Imagina como seria se você mesmo estivesse no topo de um prédio bem alto em alguma cidade metropolitana nesse exato momento. O vento forte e frio lá em cima bate no seu rosto, balança o seu corpo. Olha para baixo, não vê ninguém nas ruas, nenhum automóvel. Onde estarão essas pessoas? Pular? Por que não? O impulso é tentador. Olha mais uma vez para baixo. Fecha os olhos. Pular de olhos fechados. Mas algo o pede para abrir os olhos, não sabe exatamente o que é. É uma força, uma vontade irresistível. Algo como o sentimento de desvendar um mistério. Abre os olhos. Caramba! A luz forte do sol quase o cega. Por quê isso apareceu nos seus pensamentos? Droga! Já é manhã. Hora de ir ao trabalho.